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Hepatite C: a epidemia incubada
em: Especialidades
08/10/2014 09:00
A hepatite é uma inflamação no fígado que pode ter como causa a ingestão de substâncias tóxicas, como álcool ou drogas (hepatite tóxica), uma disfunção no sistema imunológico (hepatite autoimune) ou a contaminação por vírus (hepatite viral, que é a única contagiosa).

Os vírus causadores de hepatite são denominados pelas letras do alfabeto. Até o final da década de 80 conheciam-se apenas os vírus A e B. Atualmente, eles já chegam à letra G.
Os tipos de hepatite mais conhecidos – e os únicos contra os quais já existem vacinas – são o A e B. Entretanto, é a hepatite C que tem preocupado os órgãos mundiais de saúde – e não sem motivo.

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Números alarmantes
Hoje, a hepatite C é a principal causa de doenças hepáticas no mundo e a responsável pela morte de cerca de 8 a 10 mil pessoas por ano. A OMS (Organização Mundial de Saúde) estima que existam cerca de 300 milhões de pessoas infectadas pelo vírus. Nos Estados Unidos, este número chega a 3,5 milhões, com um crescimento de 150 mil casos por ano, valor 4 vezes superior ao de incidência da Aids. As estatísticas brasileiras são ainda mais sinistras, pois apontam a existência de aproximadamente 5 milhões de portadores da doença.
O mais grave destes dados, porém, é que mais de 90% dos infectados não sabem que estão doentes, o que impede o seu tratamento e aumenta a possibilidade de transmissão.
O desconhecimento da doença deve-se ao fato de a hepatite C não apresentar os sintomas característicos das demais hepatites virais, como mal-estar, coloração amarela da pele e dos olhos, escurecimento da urina, dor abdominal, perda de apetite, etc. Mas, mesmo sem apresentar sintomas, a infecção pelo vírus C permanece incubada no paciente por um período que pode variar entre 10 e 30 anos. Em alguns casos, o paciente descobre a infecção casualmente, ao doar sangue, num check-up ou até mesmo ao realizar exames pré-operatórios. Normalmente, entretanto, a ausência de sintomas torna a descoberta da doença tardia, muitas vezes quando o fígado já está comprometido.
Das pessoas expostas ao vírus, apenas 15% têm chances de se curar naturalmente. Os restantes 85% irão desenvolver a hepatite em sua forma crônica e, deste total, 20% estão sujeitas a ter cirrose ou câncer de fígado.

Transmissão
A principal forma de transmissão da hepatite C é a transfusão de sangue ou de seus derivados (plasma, concentrado de hemácias, plaquetas, etc.). Apesar de, no início da década de 80, os cientistas já detectarem a existência de um novo vírus transmissor de hepatite, ao qual denominavam “Não A-Não B”, o vírus C só foi identificado em 1989 e os exames laboratoriais para rastrear sua presença só se tornaram obrigatórios nos bancos de sangue a partir de 1992. Dessa forma, qualquer pessoa que recebeu sangue ou um de seus derivados até o início dos anos 90 pode ter contraído a doença.
Como o contágio da hepatite C se dá principalmente por meio do contato com o sangue contaminado, a probabilidade de se contrair a infecção por meio da relação sexual é baixa. Da mesma forma, o convívio com portadores de hepatite C não oferecerá risco de contágio se objetos de uso pessoal como escovas de dentes, lâminas de barbear, alicates de cutícula, cortadores de unha, etc. não forem compartilhados.
De acordo com as ONG’s (Organizações Não-Governamentais) que se dedicam à hepatite C, esta mesma razão, entretanto, coloca um grande número de pessoas no grupo de risco de contágio: profissionais da área médica e odontológica, hemofílicos, pacientes submetidos à hemodiálise, mulheres que receberam sangue após cesarianas realizadas antes de 1992, usuários de drogas injetáveis que compartilham agulhas e seringas e pessoas que passaram por tratamentos médicos e odontológicos, foram tatuadas, tiveram o corpo perfurado por piercings ou as que passaram por tratamento de acupuntura sem material de uso exclusivo. Além destes, qualquer um que se utilizou dos serviços de manicure, pedicure e barbearia sem a devida esterilização dos instrumentos (lembre-se que isto era muito frequente antes da Aids) também deve considerar a possibilidade de estar infectado.

Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da infecção é fundamental tanto para que o paciente seja tratado, como para impedir o contágio de outras pessoas.
Inúmeras ONG’s brasileiras têm se empenhado para conscientizar a população sobre a necessidade de se diagnosticar a doença e para que o exame anti-HCV seja feito gratuitamente nas unidades de saúde públicas.
A hepatite C ainda permanece incurável. Embora alguns casos de cura tenham sido relatados, os tratamentos existentes têm apenas conseguido minimizar os efeitos da doença no organismo e, além de exigirem um rigoroso acompanhamento médico pela possibilidade de apresentarem efeitos colaterais bastante adversos, são muito caros. Desde o início de julho, entretanto, os portadores de hepatite C já podem obter os medicamentos gratuitamente nas unidades do SUS (Sistema Único de Saúde).

Informações
Você pode obter mais informações sobre a hepatite C nas seguintes páginas da Internet:
www.hepc.hpg.com.br
www.hepato.com
http://pessoal/mandic.com.br/~gavinho
www.hepatitis-central.com (em inglês)

Imagem: © JPC-PROD - Fotolia.com
 
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