Selecione seu local x
Pesquisar meu local atual

Artigos e Receitasver todas as matérias

Tráfico de animais ameaça biodiversidade nacional
em: Nossos Bichos
13/10/2014 09:00
Sob as condições mais cruéis, milhões de animais silvestres são vítimas do tráfico, que destrói a biodiversidade brasileira e movimenta grandes somas para o crime organizado.

Só no Brasil, todos os anos, cerca de 38 milhões de animais silvestres são brutalmente retirados de seu habitat natural e capturados para o tráfico ilegal. Deste total impressionante, 10% chegam efetivamente ao comércio e apenas 0,5% são recuperados por apreensões das autoridades. A grande maioria morre.
Não é de estranhar. Para despistar a polícia, os traficantes usam métodos extremamente cruéis para transportar os animais, que são carregados em malas, caixas, sob roupas, etc. Aves são colocadas em tubos de PVC, cobras são enroladas em meias de seda femininas amarradas nas pernas e cintura. “Tem-se apreendido animais em caixas enviadas por Sedex, em fundos falsos de malas, de latas de tinta”, complementa o biólogo Vincent Kurt Lo, analista ambiental da Divisão de Fauna e Recursos Pesqueiros do Ibama de São Paulo.
Traficar ou manter em cativeiro animais silvestres sem comprovação legal da origem é crime previsto pela Lei de Crimes Ambientais (no 9.605/98), com penalidades variáveis. Além da crueldade, o ato ameaça a preservação das espécies e a biodiversidade nacional.
“O tráfico de animais silvestres perde apenas para o de drogas e armas, movimentando de 10 a 20 bilhões de dólares por ano em todo o mundo. O crime se organiza cada vez mais, aliciando moradores locais para a captura e intermediadores para a venda e transporte”, conta Vincent.
O crime vitima muitas espécies. Entre as aves, a procura é principalmente por psitacídeos, como araras e papagaios, e passeriformes, como canário-da-terra, trinca-ferro, azulão, coleirinho, entre outros. Para biopirataria, o tráfico busca princípios ativos retirados de animais como aracnídeos, serpentes, anfíbios e alguns invertebrados.

Conscientização
Só existe oferta porque há procura. Comprar estes animais de forma ilegal é, sem dúvida, financiar o crime e contribuir para o sofrimento deles. “Os animais comercializados são capturados tanto sob encomenda quanto para venda em feiras. É essencial a conscientização da população”, ressalta o biólogo.
Vincent explica que manter estes animais em casa ilegalmente é extremamente prejudicial ao meio ambiente, ao animal e à segurança da família, pois podem ser portadores de doenças transmissíveis ao ser humano.
Ao comprá-los de criadouro autorizado – que deve fornecer nota fiscal com nomes científico e popular, tipo e número de identificação individual do espécime – deve-se, também, levar em conta que todo animal pode ser potencialmente defensivo, ou seja, morder, arranhar, picar ou bicar. É preciso respeitar suas características físicas e comportamentais, mantê-los constantemente sob avaliação de um veterinário, além, obviamente, de dispensar-lhes uma série de cuidados básicos como alimentação adequada, água de boa qualidade e abrigo.

Denuncie
Ao se deparar com comércio ou posse ilegal de animais silvestres, não se cale, denuncie! Anote todas as informações possíveis (local, data, hora, circunstância, etc.) e entre em contato com as autoridades. O denunciante terá seus dados preservados.
Por mais pena que sinta do animal, não o compre, pois estará incentivando o vendedor a continuar na atividade criminosa. E lembre-se de que artesanatos feitos com partes de animais também alimentam o tráfico.
Se você já tem um animal silvestre ilegal, procure o Ibama. Entregas voluntárias evitam a penalização do proprietário. Já se houver denúncia, o detentor do animal será enquadrado na lei de crimes ambientais.
Após avaliação dos profissionais, os animas apreendidos podem ser soltos no habitat natural ou entregues a jardins zoológicos, fundações ambientalistas ou outras entidades.

Animais silvestres
São os que pertencem às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham a sua vida ou parte dela ocorrendo naturalmente dentro dos limites do território brasileiro e suas águas jurisdicionais. Exemplos: mico, morcego, quati, onça, tamanduá, ema, papagaio, arara, canário-da-terra, tico-tico, galo-da-campina, teiú, jibóia, jacaré, jabuti, tartaruga-da-amazônia, abelha sem ferrão, vespa, borboleta, aranha e outros. Atualmente são cerca de 395 as espécies ameaçadas de extinção.

Denúncias
• Superintendência do Ibama de São Paulo: Al. Tietê, 637 – Cerqueira César -Tel.: 3066-2633 ou pela Linha Verde: 0800 618080.
• Polícia Militar Ambiental: 0800 0555190.
• Batalhão de Polícia Militar Ambiental – SP: Av. Rio Branco, 1312 – Campos Elíseos - Tel.: 3221-8699 ou pelo Disque-Denúncia: 0800 0555190.
• Batalhão de Polícia Militar de São Bernardo (cobre Santo André): Av. Lucas Nogueira Garcez, 325 – Centro - Tel.: 4123-4586. 
x

URL



Redes Sociais

Email

x
Seu nome
Seu email
Comentário