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Deixa chover
em: Construção e Reforma
20/10/2014 09:00
Ano após ano as enchentes assolam as cidades e causam muitos estragos. Decorrente da ocupação desordenada que há décadas reduz a permeabilidade do solo com a multiplicação de áreas pavimentadas e construções, o problema tende crescer com as mudanças climáticas notadamente acentuadas atualmente.

Longe de ser culpa da natureza, as inundações refletem a inconsequente interferência humana. Mas é possível tentar minimizar os estragos que fizemos. Até porque, o problema é de todos.

+ Um pouco de verde no telhado

+ Melhor prevenir do que reformar
+ Cada telhado um estilo

Construções sustentáveis são parte fundamental da solução. O contemporâneo conceito é extenso e contempla maneiras de mitigar os efeitos nocivos ao meio ambiente, tornando as instalações verdadeiras parceiras dos recursos naturais.
Um dos itens importantes é a permeabilidade do solo. Segundo o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Paulo Pellegrino, a paisagem urbana impermeabilizada reduz as áreas de escoamento e amplia a velocidade da água chegar a rios e várzeas, ou seja, altera o ciclo natural da chuva.
Para compensar as modificações causadas pela pavimentação, o modelo adotado limitava-se à construção de piscinões. "A solução funcionou até certo momento. Porém, os índices pluviométricos aumentaram e estes mecanismos não estão mais dando conta. Além disto, exigem um gerenciamento complexo e bastante caro", explica o arquiteto paisagista.
De acordo com Pellegrino, para resolver o problema é fundamental a adoção de modelos alternativos. E é ai que a arquitetura sustentável disponibiliza soluções para ampliar as áreas de absorção e retardar o escoamento. "São pequenas ações que, somadas, farão a diferença", garante.

Soluções acessíveis
Pode-se manter superfícies permeáveis, chamadas de calçadas ecológicas, com a inclusão de jardim, área gramada ou horta em casa, por exemplo. A ação será potencializada se incluir o tratamento do solo para maior absorção. O projeto deve incluir também canteiros com caídas para a área permeável e pisos porosos.
Em alta, os pisos drenantes ou pisogramas são decorativos e podem ser utilizados em calçadas, varandas, garagens, quintais, etc. De fácil colocação - são fixados sobre terra compactada ou manta especial - estão disponíveis em várias formas, cores e texturas. "Podem ser conectados a jardins ou canteiros. Vale a criatividade do projeto paisagístico", indica o professor.
Telhados verdes são opção decorativa e acessível capaz de reter a água das chuvas, retardando o escoamento, além de promover redução de ruídos, manutenção de temperatura e filtração do ar. Consistem no plantio de grama, arbustos ou flores na cobertura ou na laje e precisam da instalação de estrutura que impermeabilize a área como placas de condensado ou mantas onduladas.
Com dupla função, a arborização ganha ainda mais importância, explica Pellegrino. "Além de reter a água da chuva, a árvore é um sistema que seca o solo". Deve-se também manter uma área ao redor da árvore despavimentada.

Reuso
É totalmente viável o reaproveitamento da água da chuva. Além de ajudar a evitar enchentes, a ação ainda poupa recursos hídricos.
A solução já vem sendo adotada em grandes empresas, podendo ser implementada em qualquer residência a partir da construção de um sistema de captação, filtragem e armazenamento por meio de calhas que enviem a água da chuva para um tanque subterrâneo com filtro. A água não será potável, mas poderá ser usada para rega de plantas ou jardins, limpeza de pisos, lavagem de carros, descarga, entre outros usos.

Dentro da lei
Além de imprescindível, a questão já se tornou legal. Multiplicam-se pelo País as leis que tratam da permeabilidade do solo e inúmeros municípios já exigem percentuais drenantes nas propriedades.
Em Santo André, a Lei nº 8.836, de maio de 2006, trata da questão. Segundo a norma, é obrigatório obedecer taxa de permeabilidade do solo de acordo com as condições da bacia hidrográfica e da área do terreno.
Em bacias críticas, terrenos com até 125m² devem manter 5% do solo permeável. Entre 125 m² e 1.000 m², a taxa é de 10% e acima desta área o espaço permeável deve ser de 15%. Em bacias não críticas, a lei prevê 5% de permeabilidade para terrenos com até 1.000 m² e 10% para propriedades acima desta marca.
Para saber se sua área é crítica ou não crítica deve-se consultar o Plano Diretor da cidade. É possível incluir nas construções caixas de retenção, absorção ou outras técnicas para reduzir os percentuais.

 
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