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A família não é mais a mesma. E a escola?
em: Básica
15/12/2014 09:00
A estrutura familiar que conhecemos até pouco tempo ganhou variantes. Pais separados, filhos de segundo casamento, casais do mesmo sexo, tudo isto existe hoje e, juízos de valor à parte, devem ser considerados pelas instituições, como a Escola.

Entre tantas transformações que acompanhamos nos últimos anos, não são os avanços tecnológicos os causadores do maior impacto social. São a visão de mundo e o comportamento humano os alavancadores de uma mudança sem retorno: a diversidade da estrutura familiar.

O casamento não é mais instituição indissolúvel, uniões se desfazem e se refazem, criando novas constituições familiares: madrastas, padrastos e enteados, filhos de uma segunda união, entre outras situações. O assunto é complexo e envolve a assimilação social destes novos núcleos, inclusive pela instituição Escola.

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Questões de família sempre existiram e afetaram o desempenho escolar. É o que conta a psicopedagoga Iara Monici, que vivenciou durante 32 anos o ambiente escolar, atuando com alfabetização, coordenação e direção de instituições de ensino. “Sempre tivemos separação de pais, mas as variantes cresceram com a valorização da vida profissional da mulher, as tendências de guarda da criança, o aumento dos novos relacionamentos dos pais. Estas situações, inevitavelmente, repercutem no desempenho escolar da criança”, contextualiza Iara.

Evidencia-se, então, a importância da preparação da Escola para tais temas: “O assunto deve começar a ser trabalhado pelos próprios pais, pois não se pode transferir a responsabilidade da educação para a escola. Esta deve, contudo, se preparar para acolher estes alunos de modo que não se sintam excluídos”, reforça a socióloga e psicopedagoga Adevanir Paiola.

Saia justa

Além da separação de pais, outras situações são cada vez mais recorrentes. Casais do mesmo sexo também adotam ou recorrem à inseminação artificial para formarem seu núcleo familiar.

Em uma sociedade ainda tentando se livrar das amarras do preconceito, esta realidade pode gerar constrangimento às crianças, por exemplo, durante a realização de uma festa de dia dos pais ou das mães.

Pode a escola ajudar a minimizar os problemas? Na opinião de Adevanir, pode e deve. “Não existe uma fórmula mágica para lidar com estas situações, mas devem ser trabalhadas de forma com que a criança não seja excluída da rotina”, recomenda.

Ao lidar com um destes casos, há 15 anos, Iara envolveu as professoras e contou com apoio de psicólogo. “Na época era uma situação totalmente nova. Foi necessário preparar as profissionais para que ajudassem as crianças a lidarem com a questão. Investimos em muita paciência, atenção e motivação”, lembra.

Aceitação

É exatamente da dificuldade de aceitação pela sociedade que surgem ou se potencializam os conflitos.

Para as profissionais, o primeiro passo a ser dado na preparação da escola é trabalhar na eliminação do preconceito para evitar que crianças e jovens se sintam envergonhados ou culpados por sua realidade. “Não existe culpa nenhuma nesta história. Preconceito não cabe mais na sociedade”, reflete Adevanir.

A sociedade ainda está repleta de gente preconceituosa, consequentemente, as escolas também, lembra a psicopedagoga Iara. “Muitas destas mudanças são relativamente novas. Nem a escola, nem nenhuma outra instituição estão preparadas para lidar com muitas delas. Mas não há dúvida, é preciso se preparar”, reforça.

Enquanto a escola, um reflexo da própria sociedade, se adéqua aos novos tempos, o debate é um bom caminho, indica a socióloga. “É hora de falar no assunto, de se conscientizar sobre a mudança. E, sobretudo, valorizar e investir na formação dos educadores”, complementa Adevanir.

Para jovens e crianças, a verdade deve ser o norte do tratamento destas questões: “Pais e educadores precisam entender que não adianta omitir ou encobrir os fatos sobre o seu modelo de família ou dos colegas. Minha experiência como mãe e educadora só reforça esta crença”, recomenda Iara. 
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