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em: Carros, Motos e Bicicletas
19/01/2015 09:00
Você não consegue deixar de atender ao celular nem enquanto dirige? Qualquer dia pode matar alguém ou se matar.

O trânsito brasileiro parece cada vez mais caótico. Estatísticas recentes apontam 35 mil mortes por ano no Brasil e mais de 150 mil acidentados em tratamentos nos leitos hospitalares, 40% tem diagnóstico de dano irreversível.
Entre os inúmeros fatores que compõem o cenário catastrófico, o uso de celular por motoristas é uma daquelas questões dignas de análise psicológica. É ilegal, é perigoso, e mesmo assim continua acontecendo em larga escala, sendo uma das maiores causas de multas em São Paulo.

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Estudos do Instituto Politécnico da Virginia, nos EUA, apontam ser a distração causa de 80% dos acidentes de trânsito. E o uso do celular, seja para conversa ou para mensagens de texto, sem dúvida, está no rol dos motivos da falta de atenção ao volante.
Ainda de acordo com o mesmo estudo, o controle do veículo piora 91% nestas situações. A explicação é que para dirigir é preciso coordenar múltiplas tarefas, como atividade motora, tomada de decisão e processamento de informação interna e externa.
Somente a condução do veículo já exige uso de diferentes partes do cérebro. Sobrecarregar o cérebro com uma atividade extra dificulta a realização de todas.
Usar o celular, mesmo que seja por viva voz ou fone de ouvido, interfere no cálculo da distância segura do veículo da frente e dificulta a condução em linha reta, por exemplo. Além de reduzir a agilidade para controlar a direção, impede o posicionamento correto das duas mãos no volante e cansa mais o motorista.
"Temos que utilizar os sentidos para a vigilância do espaço que ocupamos. Se sobrecarregarmos algum desses sentidos, comprometemos o seu melhor funcionamento", reforça o psicólogo Marccelo Pereyra, consultor da Associação Brasileira de Educação de Trânsito (Abetran), autor dos livros Motorista brasileiro e Ultrapassagem perigosa. Para ele, usar o celular ou dirigir embriagado tem o mesmo grau de irresponsabilidade.

Cultural
Segundo Pereyra a questão de transgressão de normas e do comportamento perigoso ao volante, como o uso do celular, é cultural, pois o carro para o brasileiro é um bem de valor diferenciado que tem função de transferência de desejo: "É como sua casa ou um mundo móvel", define o estudioso de trânsito.
Impulsionada pela mídia, a euforia de ter um carro aliada ao conceito do celular no Brasil, cria um "status" de poder, o que de certa forma gera uma utilização distorcida. O veículo e o aparelho de telefone não são vistos unicamente com as funções de locomoção e comunicação e passam a representar um estilo de vida.
Assim, continua Pereyra, as frustrações de não conseguir tudo o que se esperava com os sonhos de consumo se transformam em agressividade e contrariedade e o motorista fará tudo para negar a realidade, por exemplo, de ficar preso no trânsito, desrespeitando as leis. Mesmo sabendo das consequências, ele continua falando no celular enquanto dirige.
Outro agravante, de acordo com o psicólogo, é o comportamento imitativo. "Um motorista copia aquilo que outro realiza e em determinado momento esse comportamento tende a ser visto como normal, em razão da natureza repetitiva", explica.
Para reverter este quadro, a proposta de Pereyra e da Abetran é investir em educação para o trânsito. "As mensagens no Brasil hoje são tímidas, descontinuadas e sem consistência, além de não contarmos com estatísticas detalhadas recentes. É necessário que se elabore ações de informação e educação de maneira eficaz, voltadas à promoção da mudança de comportamento a partir de um posicionamento de autocrítica, de consciência coletiva", alerta.
Dirigir, reforça o psicólogo, é um comportamento que exige respeito, conscientização urbana, gentileza, paciência, tolerância e as pessoas estão indo para o lado totalmente contrário.

Ilegal
Pela legislação de trânsito é vedada a condução veicular com apenas uma das mãos ao volante, "exceto quando deva fazer sinais regulamentares de braço, mudar a marcha do veículo, ou acionar equipamentos e acessórios do veículo". Portanto, usar o celular ao volante é considerado infração de natureza média, com penalidade de multa de R$ 85,13 e quatro pontos no documento de habilitação.
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