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Não exagere na dose
em: Mexendo com o Corpo
18/03/2015 09:00
Exercitar-se em demasia, prática conhecida como overtraining, é prejudicial ao corpo e à mente.

Apregoada aos quatro cantos como altamente benéfica, a atividade física é, de fato, importante e melhora a qualidade de vida quando realizada com orientação e na dose correta. Exercitar-se em excesso, ao contrário, pode acarretar vários males, como lesões, queda de desempenho, problemas cardíacos potencialmente fatais e distúrbios psicológicos.

“Exercício é como remédio. Se a dose for baixa, não funciona. Se for alta, causa efeitos colaterais”, exemplifica o especialista em Medicina do Exercício e do Esporte e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), dr. Jomar Souza.

Cada vez mais comum, conforme atestam os especialistas, o problema não atinge apenas atletas profissionais. “Quando se cria um objetivo inatingível ou quando não se tem a orientação adequada para realizar exercícios físicos, o caminho está aberto para o overtraining. Se pensarmos nos atletas de competição, as pressões financeiras podem, ainda, levar ao distúrbio”, avalia dr. Souza.

O exagero da prática reflete, também, a alta valorização social com o corpo ideal, principalmente se detectada fora do contexto profissional. De acordo com o psicólogo do esporte, dr. João Ricardo Cosac, nestes casos, o excesso de atividade pode estar atrelado à vigorexia, um transtorno psicológico de distorção da autoimagem. “Viciados em exercício não medem esforços para ter o corpo ideal. A compulsão impede que enxerguem e valorizem outros aspectos da vida. É uma fuga e uma busca frenética por aceitação social”, explica o especialista, que é presidente da Associação Paulista da Psicologia do Esporte e diretor clínico da Consultoria, Estudo e Pesquisa da Psicologia do Esporte (Ceppe).

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Perigos
Se a falta de exercício prejudica a qualidade de vida e pode contribuir para o desencadeamento de uma série de problemas, o excesso, por sua vez, é capaz, só ele, de provocar outras tantas patologias e prejuízos à saúde física e mental, alertam os especialistas. “Treinamento em excesso pode gerar lesões de difícil recuperação, alterações do sono, entre outros problemas. Em situações extremas, pode ocasionar alterações cardíacas potencialmente fatais“, adverte o médico.

Alteração hormonal, batimento cardíaco acelerado mesmo em repouso e baixa imunidade – o que reduz a capacidade de recuperação e facilita o surgimento de doenças, inclusive infecções – são algumas das alterações desencadeadas no organismo.

E não é só a saúde física que se abala. “O paciente com compulsão por exercício tem sua vida prejudicada, além de desdobrar-se em distúrbios como anorexia e bulimia, ansiedade generalizada, depressão, síndrome do pânico e fobia social”, adverte o psicólogo.

Ainda segundo Cosac, dependendo do grau do problema, é necessário acompanhamento psiquiátrico e psicológico, buscando contornar os gatilhos emocionais desencadeadores da compulsão. “Na terapia, busca-se descobrir as causas e resgatar uma identidade perdida ou fragilizada”, sinaliza.

Sinais de alerta
Determinação e força de vontade não devem ser confundidas com compulsão. Para delimitar a fronteira segura entre a prática saudável e o excesso, alguns sinais saltam aos olhos e merecem atenção.

Prestar atenção ao corpo é um importante indicador. Dores podem surgir no início de um treinamento ou após longo período de sedentarismo, contudo, se persistirem, indicam algo errado, como carga ou execução dos exercícios inadequada. “Queda de rendimento esportivo, alterações do humor e de sono são alguns dos possíveis reflexos do overtraining”, enumera o especialista em medicina esportiva.

Também vale a pena perceber alterações no comportamento social. “Preterir compromissos pessoais e até profissionais para treinar, às vezes mais de uma vez ao dia, mudança extrema de humor, dificuldade de concentração sinalizam problema”, complementa o psicólogo.

Uma programação ideal de treino deve levar em conta o horário e a temperatura. Se a prática for diária, um dia da semana deve ser reservado, obrigatoriamente para descanso. “Esteja atento aos sinais dados pelo corpo, tenha um bom acompanhamento médico, nutricional e físico”, recomenda dr. Souza.

Também é fundamental, lembra dr. Cosac, que o exercício físico seja algo prazeroso. “A prática de atividade não se resume à academia. Pode ser extremamente agradável buscar ambientes como praças, parques, inclusive com companhia. Procure uma modalidade que seja agradável para você”, aconselha.

Imagem: © Dirima - Fotolia.com
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