Selecione seu local x
Pesquisar meu local atual

Artigos e Receitasver todas as matérias

Aceita um cafezinho?
em: Comendo Fora
23/03/2015 09:00
Poucos alimentos têm odor e sabor tão marcantes quanto o café. Originário da Etiópia Central, o café foi apreciado pela primeira vez em meados do século XV. Era só o começo de um hábito que se espalhou pelo mundo, tornando a bebida produzida a partir de grãos torrados do fruto do cafeeiro uma das mais democráticas do planeta.

Data de 1475 a primeira loja de café, em Constantinopla. No Oriente, a disseminação do produto foi provocada pela expansão do islamismo e posteriormente pelo desenvolvimento dos negócios gerado pelos Descobrimentos. Em 1570, foi trazido para Veneza, na Itália, onde os cristãos só poderiam apreciá-lo após aprovação do papa Clemente VIII.

+ Delícia gelada
+ Conheça a história da cachaça
+ Entenda o mundo dos vinhos

Na dose certa
Um dos segredos do encanto da bebida é o composto químico cafeína, que chega às células do corpo em menos de 20 minutos e amplia a ação do neurotransmissor estimulante do sistema nervoso central dopamina, promovendo, entre outros efeitos, prazer e motivação. O grão possui também vitamina B, lipídios, aminoácidos, açúcares e grande variedade de minerais, como potássio e cálcio, que agem como antioxidantes contra os radicais livres.

Consumido em dose moderada – entre três a quatro xícaras diárias – beneficia mente e corpo. Pesquisas apontam que o produto está associado à redução do risco de depressão, diabetes tipo 2 e colesterol, ajuda a prevenir cirrose hepática e pode auxiliar o combate a doenças coronarianas, o emagrecimento, além de diminuir o risco de Mal de Parkinson e Mal de Alzheimer.

Para aproveitar os benefícios, entretanto, é importante consumir a bebida até 15 minutos depois de coada, antes que oxide e perca as propriedades.

Outro cuidado é não exagerar na dose, pois o consumo em excesso pode acarretar irritabilidade, insônia, ansiedade e tremores. E em debate ainda aberto está a tese de que abuso de cafeína afetaria a absorção do cálcio.

Preparação
A qualidade do grão é fundamental para o sabor da bebida, que será mais saborosa se preparada com produto recém torrado. Também é importante que o café esteja dentro da data de validade e bem acondicionado. Guarde-o com boa vedação na geladeira, longe de umidade, calor e odores estranhos.

Opte por água filtrada ou mineral apenas aquecida (não fervida) e utilize entre 80 a 100 gramas de pó (cerca de seis colheres de sopa) para 1 litro de água.

Para fazer café em coador de pano, misture o pó à água quente e mexa com colher de pau até formar um creme antes de colocá-lo diretamente no coador. Não lave o coador com detergentes ou outros produtos químicos.

Em filtro de papel, espalhe o pó uniformemente no filtro, sem compactar, e despeje a água umedecendo o pó das beiradas para o centro, em fio e lentamente, sem misturar com a colher. Não ultrapasse seis minutos na operação. Em cafeteiras, não faça mais que 12 xícaras por vez, pois o tempo excessivo de contato com água pode deixar o café amargo.

Preparado sob pressão, o café expresso deve ser feito com grãos frescos e de alta qualidade em máquina própria, com pressão e temperatura adequadas. Mais concentrado, tem aroma e sabor intensos.

Lembre-se que quanto mais fresco, melhor será o paladar, pois com o tempo as propriedades se deterioram. Mas se utilizar garrafa térmica, verifique a vedação e não acondicione café já adoçado.

Ao servi-lo, o ideal são xícaras de porcelana, que mantêm a temperatura constante e destacam o sabor.

O profissional especializado em café é conhecido como barista e trabalha com grãos de alta qualidade, criando novas misturas para drinques e bebidas diversos. Deve ser profundo conhecedor de todas as etapas – cultivo da planta, processamento e beneficiamento, torra e moagem – além de detalhes dos processos de extração da bebida, seja em máquinas de expresso ou em outros métodos de preparo.

Fruto demoníaco
Diz a lenda que o pastor de cabras Kaldi encontrou seu rebanho saltitando após ingestão de frutos de um desconhecido arbusto. Curioso, experimentou os grãos e percebeu que a estranha energia advinha mesmo da planta, logo apresentada aos monges do mosteiro local, que classificaram o fruto como demoníaco.

Kaldi ateou fogo aos grãos que exalaram um aroma irresistível, atraindo os monges e fazendo-os mudar a opinião. Para explorar melhor a descoberta, o abade sugeriu que os grãos fossem esmagados na água.

Surgia, então, um preparado capaz de mantê-los acordados para meditação e rezas e que seria rapidamente difundido para outros monastérios mundo afora.

Cafeína na economia
Commodity mundial (produto de origem primária utilizado em transações comerciais nas bolsas de mercadorias), o café já alavancou mudanças sociais e econômicas no Brasil. Seu cultivo foi fator incentivador da imigração européia para o país após o fim da escravidão e impulsionou a ampliação das vias férreas de São Paulo e dos portos do Rio de Janeiro e de Santos.

A importância histórica do produto pode ser avaliada pelo conhecido “ciclo do café”, ocorrido na primeira metade do século XX, e que garantiu acúmulo de capitais no país, principal exportador do produto na época. O negócio gerou a São Paulo um desenvolvimento inédito, tornando o Estado um dos mais ricos e influentes.

Durante a política do “café com leite”, que predominou durante boa parte da República Velha (1889/1930), São Paulo e Minas Gerais dividiram a hegemonia do comando do país, com fazendeiros indicando ou se tornando presidentes.

Até hoje, o café é um dos principais produtos isolados exportados pelo Brasil. 
x

URL



Redes Sociais

Email

x
Seu nome
Seu email
Comentário