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Celulares: tem hora e dose certas
em: Equipamentos e Utensílios Domésticos
27/03/2015 09:00
Pais criados em eras onde tecnologia móvel era coisa de filme de ficção têm o desafio de saber dosar nos filhos o uso das novas ferramentas. O segredo é o de sempre: limites e valores.

Celulares, smartphones e suas variações são objetos de desejo e fazem parte da vida dos adultos, assim como de crianças e jovens. Mocinhos ou vilões? Nenhum dos dois, apenas um elemento novo a ser administrado pelos pais.

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De acordo com a psicóloga Andréa Jotta, do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática (NPPI), da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a abordagem deve ser orientada pela faixa etária, já que as necessidades são diferentes. “Antes dos oitos anos não existe uso funcional, o que costuma ocorrer é um uso recreativo como brinquedo eletrônico, geralmente em aparelhos antigos herdados dos pais. A criança não tem responsabilidade para carregar um celular novo ou caro”, sinaliza.
Entre 8 e 12 anos, já são inseridas na rotina atividades como curso de inglêsnatação, etc., compromissos que as mantém algum tempo longe dos pais. Cria-se, então, uma necessidade real, embora pequena, de ter um aparelho, com objetivo de comunicação. “Desperta-se aí o desejo pelo objeto como item de valor, de privilégio social, e a criança tende a querer aparelhos mais caros para se igualar ou se destacar entre os colegas. O que não significa que tenha a maturidade para ganhar um equipamento caro, pois tende a perder e a quebrar”, analisa Andréa.
Já a partir dos 12 anos, o uso torna-se bem mais funcional, principalmente para a relação com seu meio social. “Nesta fase, eles adoram se comunicar. Como a geração anterior passava horas falando ao telefone, hoje eles trocam mensagens de texto, os SMS”, lembra a especialista. Uma boa dica da psicóloga para os pais desta “galera” é optar por planos econômicos, com aparelhos com comunicador gratuito.

Status
A posse de um aparelho celular para crianças e jovens implica, além da necessidade, status perante o grupo. Para a psicóloga, a questão envolve valores pessoais, e precisa ser considerada pelos pais como mais um item da educação. “É importante refletir sobre o adulto que está sendo formado: um que entende que seu valor está em ter um celular de melhor tipo ou um que se sustenta por si próprio”, questiona. Segundo Andréa, a boa educação levará ao bom uso do celular e de tudo mais na vida.
A especialista adverte, ainda, sobre um erro comum dos pais: tornar o celular um objeto de troca ou chantagem para conseguir um comportamento desejado ou a realização de tarefas. “É preciso tomar cuidado para não formar crianças que não sabem esperar, ansiosas e imediatistas. A tecnologia não pode ser um cala a boca. Tem que haver um pacto para o uso”, avalia.

Cordão umbilical
Para os pais, o celular trouxe a facilidade de contato com os filhos. Ainda que represente certa segurança, o controle dos passos de crianças e jovens deve ser comedido. “Faz parte do processo de crescimento, da sociabilização, soltar-se aos poucos do núcleo familiar. O celular não deve ser um cordão umbilical que mantenha a criança totalmente dependente das decisões da mãe e do pai em ocasiões como passar a noite na casa de amigos, por exemplo”, observa. Segundo Andréa, a superproteção também via celular pode gerar um jovem com menos poder de decisão.
Entre as polêmicas criadas pela ferramenta, o uso indiscriminado na escola é frequentemente debatido. A proibição de entrada do equipamento, defendida por alguns, não seria a solução, segundo a psicóloga do NPPI. “A medida não é funcional. As escolas não têm como revistar todos os alunos. O que funciona são regras e combinados sobre o uso, como a liberação na hora do intervalo. Uma vez pego usando o celular na aula, existem as punições da escola e dos pais, como sempre ocorreu em relação a outros comportamentos inadequados”, justifica.

Imagem: © goodluz - Fotolia.com
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