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Era uma vez
em: Básica
06/04/2015 09:00
Chapeuzinho Vermelho, Cinderela, Patinho Feio e tantos outros personagens marcaram a infância de grande parte dos adultos de hoje. Seja pela suave fala das avós, pela leitura noturna das mães ou por belas figuras de livros coloridos, as histórias contadas na infância não são esquecidas e desempenham papel fundamental em várias vertentes do desenvolvimento das crianças.

Tradição que parece estar se perdendo nos dias atuais, contar histórias aos filhos é um ato de amor decisivo para a construção da identidade social e cultural. Importante em todas as fases, é na idade pré-escolar que as narrativas exercem maior influência no desenvolvimento da personalidade. “Como o brincar, as histórias são fundamentais na infância. Contribuem para que as crianças compreendam melhor o mundo e desenvolvam raciocínio lógico, além de estimular a criatividade”, explica a psicóloga, psicopedagoga e doutora em psicologia escolar e do desenvolvimento humano pela USP, Alacir Villa Valle Cruces.

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O enriquecimento de experiências vai além. O contato durante a narrativa estreita laços afetivos e permite que sejam trabalhadas questões como medo, preconceitos e interpretação: “É interessante conversar com os filhos sobre as histórias e instigá-los a propor finais alternativos, o que os estimula a pensar em diferentes formas de lidar com problemas”, aconselha Alacir.

Se a interação é destacada na narração livre, ler o conto é igualmente importante, pois permite que a criança conheça a linguagem formal e desenvolva maior concentração para aguardar o desfecho. O ideal é alternar as duas opções.

Mas, como concorrer com atrativos modernos, como jogos eletrônicos e computadores e despertar a atenção dos pequenos para uma tradicional roda de histórias? Mais uma vez, o ideal é o equilíbrio: “É possível utilizar recursos como DVDs, que completam a estimulação dos sentidos com o aspecto visual das histórias e mesclar com narrativas verbais e leituras”, recomenda a psicóloga.

Embora escolas de ensino infantil incluam narração de histórias regularmente nas atividades, os pais não devem abandonar o hábito. “É um momento de extrema intimidade que não pode ser perdido na convivência familiar”, adverte Alacir.

Cada fase, um conto
• Entre 1 e 2 anos: movimentos e tom de voz são os atrativos nesta fase. Prefira histórias rápidas e curtas, que podem ser inventadas na hora e utilize recursos como fantoches, livros de pano, madeira e plástico.
 Entre 2 e 3 anos: enredos simples e rápidos, poucos personagens, ritmo ágil e entonação são indicados para crianças desta faixa etária. Bichinhos, brinquedos e seres diversos humanizados são sucesso certo.
• Entre 3 e 6 anos: humor e mistério agradam os expectadores, que nesta fase gostam de repetição. É normal pais ouvirem o pedido: conte outra vez! Para animar a criançada, o contador pode se fantasiar de um dos personagens ou utilizar dobraduras ou massa de modelar para prosseguir com a brincadeira. Contos sugeridos: O patinho feio, Os três porquinhos (3 e 4 anos); Chapeuzinho vermelho, O pequeno polegar, O soldadinho de chumbo (4 a 6 anos).
• 6 ou 7 anos (alfabetização): é hora de ampliar a temática e explorar personagens inseridos na coletividade. A integração entre figura e texto deve instigar o interesse pela leitura e materiais como lápis de cor, de cera ou tintas podem ser utilizados para ilustração das histórias. Contos sugeridos: Branca de Neve e os sete anões, Cinderela, O gato de botas, Pinóquio.

A literatura fantasia é indicada a todas faixas etárias, principalmente, a pré-escolar. Envolve situações vivenciadas fora do entendimento do espaço e tempo e inclui fenômenos que não obedecem às leis naturais.

Futuros leitores
Os pequenos que conheceram o universo das histórias na idade pré-escolar têm maiores chances de se tornarem leitores e usufruírem os inúmeros benefícios do hábito. Crianças que lêem aprendem melhor e têm mais facilidade em todas as disciplinas, aprimoram a linguagem, a interpretação de texto, e claro, serão jovens e adultos com um senso crítico mais apurado.

• O exemplo é o primeiro aliado na formação do leitor. É importante que os pais sejam observados lendo livros, revistas, jornais.
• Os livros devem ser parte da casa, estar por perto para que a criança crie uma certa intimidade com o objeto. Também devem estar relaciona-dos às surpresas. Quando adquirir um exemplar para seu filho, entregue-o em um colorido embrulho, como um presente especial.
• Incentive a criança a formar um acervo próprio de títulos e inclua bibliotecas e livrarias no roteiro de passeios da família. Mostre a sessão infantil ou infanto-juvenil e deixe que o pequeno escolha um título de seu interesse.
• Não imponha a leitura como obrigação, pois isto pode gerar uma relação complicada com os livros. Incentive, contando o início de uma história para que a curiosidade o faça ler para saber como termina.
• Não implique com a leitura de quadrinhos ou do caderno de esportes do jornal. Ofereça alternativas: o ideal é sempre propor um consenso.
• Converse sobre os livros, pergunte se gostaram e ajude-os na interpretação das histórias. Nunca menospreze a opinião dos pequenos leitores.

Imagem: © WavebreakMediaMicro - Fotolia.com 
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