Selecione seu local x
Pesquisar meu local atual

Artigos e Receitasver todas as matérias

Com o perdão da grafia, o internetês
em: Básica
12/05/2015 09:00
A internet está transformando o mundo. E a comunicação é uma das primeiras áreas a traduzir os efeitos da agilidade imposta pela nova ferramenta. Prova disto é o nascimento do internetês, a expressão grafolinguística informal do meio virtual.

Basta navegar um pouco nos hits da rede, os comunicadores instantâneos e as redes sociais para se deparar com grafias abreviadas, eliminação de vogais, corruptelas e outros recursos que visam prioritariamente rapidez e a economia de espaço na comunicação escrita on-line. No lugar de porque, o internetês dita o pq, em vez de você, é comum o vc. E por aí vai.
Adotado principalmente por adolescentes, o dialeto nasceu com vocação para controvérsia. Poderia deformar a língua portuguesa?

+ Geração web
+ O divertido hábito de ler
+ Lição de casa

Viva e dinâmica
Explicam os linguistas que toda língua é, de certa forma, viva, dinâmica. Evolui em sintonia com seu tempo, influenciada pelo contexto social e por outras culturas e idiomas. Assim aparecem e desaparecem palavras. É o caso de termos recém-nascidos como blog e metrossexual, ou de palavras cada vez com menor uso como vitrola, ou da já sem aplicação, soviético.
“A comunicação humana se dá nas ‘inter-ações’, e estas se dão por vários meios e suportes. Pra cada um destes desenvolvemos uma linguagem específica, que o próprio meio dá conta e ajuda a organizar”, esclarece o professor Valdemir Miotello, do departamento de Letras da Universidade Federal de São Carlos e doutor em Linguística.
Para o acadêmico, é absolutamente normal que surjam formas e tipos de linguagem para um novo meio de comunicação como a internet. “O jeito diferente de usar o léxico, de mexer com a sintaxe, a invenção de expressões é a adequação para as condições do veículo. E saber usar esta linguagem é extremamente sofisticado e contribui para a renovação da linguagem e da ‘inter-ação’ humana”, afirma.

Tem hora e lugar
Cientes da irreversibilidade do fenômeno, os educadores voltam-se a trabalhar com os estudantes a criação de senso crítico para o uso das diferentes linguagens. O objetivo não é negar, mas reforçar a existência da norma culta e orientar acerca das circunstâncias adequadas para aplicação, pois mesmo na comunicação virtual, nem sempre o internetês é um recurso bem vindo. Em contatos profissionais, por exemplo, não deve ser usado.
Os pais devem também se atentar para o uso do recurso, principalmente pelas crianças. Se o aprendizado da escrita está atrelado, entre outros sentidos, à memória visual, o uso desregrado pode gerar dúvida da grafia correta.
Ganha, então, importância ainda maior a necessidade de estimular o interesse por livros nos pequenos e nos jovens que passam muitas horas na rede a fim de reforçar o aprendizado de vocabulário rico e a fixação das normas cultas.
O uso da linguagem virtual está relacionado ainda a outro fator: o grupo. Majoritariamente praticado por adolescentes, o internetês acaba tendo também a função de elemento identificador, como a gíria. “A linguagem sempre é constituída em grupos específicos. Esse grupo entende muito bem o que está sendo dito, e assim pode dialogar com outros”, lembra o professor Miotello.
Sobre a possibilidade da extrapolação da linguagem para outros meios, o linguista, responde: “Sim, existe a possibilidade”. Mas não há motivo para lamentar, segundo ele, pois a linguagem deve revelar como vivemos. “Uma linguagem que fosse absolutamente estável morreria. Distorções na língua? Nem pensar. Língua é concreta, constituída no uso. Não uma entidade abstrata”, conclui. 
x

URL



Redes Sociais

Email

x
Seu nome
Seu email
Comentário