Selecione seu local x
Pesquisar meu local atual

Artigos e Receitasver todas as matérias

Dança das Palavras
em: Básica
10/06/2015 09:00

A linguagem é viva. Palavras nascem, morrem e até mudam de sentido. O fenômeno é fruto do caráter social da linguagem, pois é a sociedade que determinará o destino da língua portuguesa.

Novas palavras refletem a transformação social e até contam a história de civilizações. São chamadas de neologismos.

"A garotada antenada fica ao invés de namorar". Conceitos morais à parte, a frase mostra dois exemplos da dinâmica da linguagem: o verbo "ficar" já tem seu novo significado incorporado ao dicionário Aurélio. O antenado, onde o substantivo antena derivou um adjetivo, talvez ganhe oficialização. Só o tempo dirá.

Segundo a doutora Ieda Maria Alves, professora do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Universidade de São Paulo (USP), alguns neologismos são apenas modismos. Outros acabam incorporados à língua portuguesa.

Muitos termos ou significados são fruto da necessidade por palavras que exprimam um novo modo de vida ou fato social, como mensaleiro, do escândalo político mensalão.

Um dos tipos de neologismo é particularmente polêmico por envolver questões complexas. Representando cerca de 17% dos casos de novos vernáculos, segundo estudo do projeto TermNeo (Observatório de Neologismos do Português Brasileiro Contemporâneo), coordenado pela professora, as palavras derivadas de outras línguas, como surf, shopping e pôster não agradam a todos.

"Estrangeirismo não é prejuízo. Na história das línguas sempre houve empréstimos de palavras. É um processo natural e inevitável", lembra a professora.

Mesmo antes do idioma inglês ser o maior influenciador de linguagem do mundo globalizado, já existia uma certa fobia pela adoção de vocábulos estrangeiros. No início do século XX, por exemplo, eram as palavras francesas que invadiam os outros países, inclusive o Brasil.

Poderosa na época, a nação ditava padrões culturais, como hoje acontece com os norte-americanos. Da época do Renascimento vieram alguns termos italianos usados até hoje na música, como allegro e andante.

E a língua portuguesa também emprestou palavras, quando os portugueses eram navegadores exploradores. Os orientais têm as formas fonéticas de zztô (obrigado) e pan (pão) inspiradas pelos patrícios. Atualmente, o Brasil também exporta palavras típicas do contexto nacional. É o caso de favela, samba, caipirinha.

Se futuramente teremos palavras emprestadas do idioma falado na China, o mandarim, ainda não sabemos. Mas pela lógica de que as grandes potências têm maior alcance na dinâmica das linguagens, não é impossível.

+ Escrever à mão x digitar
+ Alerta para o rendimento escolar
+ Gírias de internet

Influência

Cachecol, salsicha, lasanha. Palavras comuns, mas que surgiram de empréstimos de outras nações e hoje estão inteiramente incorporadas ao vocabulário brasileiro. Seria o destino de twitar e twiteiro, por exemplo? Surgidas do microblog Twitter, as terminologias já estão em uso frequente por grande parte dos internautas, outro neologismo oriundo de novos hábitos.

É da informática que surge considerável número de novas palavras. "Algumas áreas, particularmente, são grandes geradoras de vocábulos. São termos sem similares, que representam nova tecnologia. Já na economia, há a adoção de um vocabulário próprio, de caráter internacional, geralmente originário do inglês", esclarece professora Ieda. É o caso de holding ou leasing.

Mas há também muitas criações vernáculas devidas à política econômica brasileira, como auxílio-doença, auxílio-creche, maxidesvalorização, entre muitas outras. Contudo, algumas expressões estão mais para modismos e podem sair de cena com o tempo, como a expressão dead line usada não só nas empresas, como em diversas áreas, para determinar prazo final, alerta a acadêmica. Pelo bom senso, se existe a palavra ou expressão em português ou aportuguesada é interessante privilegiar esta forma.

"Por outro lado, ao se importar um hábito, um esporte, etc., é uma consequência natural o empréstimo da nomenclatura da respectiva terminologia. É o caso de delivery, fast food e football", complementa Ieda. Com o tempo, as palavras tendem a ganhar versão tupiniquim, como ocorreu com o popular esporte, que virou futebol.

O que sobrevive, lembra a professora, é o que o usuário adota e incrementa o vocabulário de outras pessoas. "É preciso entender esta dinâmica", acrescenta. Por si só, o estrangeirismo não é um processo capaz de ameaçar a existência de uma língua. Termos já consagrados ou coletivizados como e-mail, shopping center e marketing devem ser grafados entre aspas ou grifados.

De onde veio 

Abajur: francesa 
Acarajé: africana 
Alambrado: espanhola 
Alfaiate: árabe 
Bambu: malaianea 
Basquete: norte-americana 
Cachecol: francesa 
Camisa: celta 
Chique: francesa 
Dengue: africana 
Filme: norte-americana 
Granizo: espanhola 
Lasanha: grega 
Madame: francesa 
Nocaute: norte-americana 
Omelete: francesa 
Purê: francesa 
Salsicha: italiana 
Sauna: finlandesa 
Shopping center: inglesa 
Tricô: francesa 
Uísque: norte-americana 
Vôlei: norte-americana

O Aurélio assumiu

O dicionário Aurélio já incorporou neologismos.
Na última edição constam esqueite (pequena prancha com, geralmente, quatro rodinhas, sobre a qual uma pessoa se equilibra e se desloca.); ficar (namorar sem compromisso.); drag queen (homem que se fantasia de mulher.); laptop (microcomputador portátil); autoajuda (método de aprimoramento pessoal.); célula-tronco (célula indiferenciada e que, em cultura, continua indefinidamente a se dividir.); blog (serviço que permite ao internauta criar e manter uma página.); deletar ('destruir', 'eliminar'; 'apagar ou rasurar.), etc.

Imagem: © almansablues - Fotolia.com

x

URL



Redes Sociais

Email

x
Seu nome
Seu email
Comentário