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A terceira idade dos Pets
em: Nossos Bichos
15/06/2015 09:00
Diz um verso contemporâneo: “Os cães vivem menos que os humanos, pois aprendem a amar primeiro”. Cada vez mais importantes e participantes em nossas vidas, os animais de estimação ganharam recursos que podem prolongar sua expectativa de vida e provê-la de melhor qualidade. Mas quem tem um amigo peludo sabe: um dia eles envelhecem. E partem.

Como nós, cães e gatos têm sua sobrevida influenciada pelos cuidados com a saúde desde a infância, por fatores ambientais e genéticos. E sofrem ainda consequências da domesticação. “Alguns problemas eles não teriam no habitat natural. Dor na coluna, por exemplo, pode ser causada pelo excesso de peso próprio de animais com pouca atividade física. E o quadro é agravado pelas escadas, um obstáculo não existente na natureza”, explica o diretor do Hospital Veterinário da UniABC Dr. Luciano de Castro Follone.

Nossos pets são acometidos por males bastante conhecidos pelos humanos: tumores, perda de audição, catarata e glaucoma, artrites, diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, insuficiência renal, incontinência urinária, entre outros. A queda da imunidade e a mudança do metabolismo facilitam a obesidade e podem acarretar problemas de pele como dificuldade de cicatrização e aumento da perda de pelos. É comum ainda haver diminuição do olfato e do paladar.

Segundo Dr. Luciano, as mudanças fisiológicas alteram o comportamento dos animais, que ficam naturalmente mais pacatos a partir dos seis ou sete anos. Gatos dormirão boa parte do tempo. E sofrerão de mais estresse com mudanças. Já os cães se tornam mais lerdos na movimentação. Podem, porém, ter esporadicamente reações agressivas causadas por dores ou reações aos medicamentos.

Cuide bem do seu velhinho

Muitas alterações são naturais da idade – o que não é desculpa para negligenciar seu amigo na hora em que ele mais precisa de você. Todos os donos têm obrigação de prestar assistência aos seus animais de estimação. Negar os cuidados qualifica maus tratos e é crime ambiental.

“A medicina veterinária importou praticamente todos os tratamentos e diagnósticos existentes para os seres humanos. E estão cada dia mais acessíveis”, destaca o diretor. Para o melhor resultado, Dr. Luciano adverte que é fundamental ficar atento aos sintomas e consultar o veterinário regularmente. A frequência das visitas deve ser determinada pelo profissional, que avaliará as condições gerais de saúde do seu velhinho.

Cães não castrados podem ter problemas com aparelho reprodutor; os obesos estão propensos a várias enfermidades e a falta de higiene bucal costuma gerar doenças no coração. Algumas raças tendem desenvolver artrite e displasias, como o Pastor Alemão e o Golden Retriever. Já os felinos sofrem alta incidência de insuficiência renal.

Mantenha seu velhinho no peso ideal com alimentação balanceada – existem até rações específicas para cães idosos. Prefira repartir a quantidade diária em várias refeições para melhorar a digestibilidade. E tenha muita paciência com aquele que já deu tanto carinho a você. Não o faça se sentir um estorvo.

A atenção com a saúde do seu amigo tem de ser rotina: “A longevidade é conquistada durante a vida por meio dos cuidados com higiene, moradia confortável, alimentação de boa qualidade, vacinação e controle periódico de parasitas. E muito importante: com carinho e atenção. Amor nunca é demais”, reflete o diretor.

Hora de dizer adeus

Quem assistiu ao filme ou leu o livro Marley & eu deve ter se emocionado com a despedida do labrador protagonista. A decisão da família de optar pela eutanásia, porém, não é aprovada por Dr. Luciano. “Hoje em dia há uma série de tratamentos e paliativos que permitem evitar o procedimento. Afinal, o papel do médico veterinário é buscar a vida, não a morte”, justifica.

O diretor destaca que já existem praticamente todos os recursos terapêuticos disponíveis para os seres humanos, como quimioterapia, radioterapia, hemodiálise, cirurgias variadas e analgésicos poderosos, além de já estarem sendo realizados até transplantes de rins nos EUA. Estão disponíveis também vários exames diagnósticos que permitem detectar as moléstias em fase inicial.

Graças aos avanços, o ciclo deles hoje varia entre 12 a 15 anos dependendo do porte. Não raro, bichanos e caninos ultrapassam esta média e atingem com boa qualidade de vida 18 e até 20 e poucos anos, limite este já intransponível, segundo Dr. Luciano.

E porque não há milagre, um dia eles partirão. A despedida é sempre difícil e dolorosa. Mesmo para médicos veterinários acostumados a vivenciar o momento, a experiência é triste: “Percebo por parte da maioria das pessoas um envolvimento forte com seus animais, pois este relacionamento é cada dia mais valorizado na sociedade”, reflete o médico veterinário.

O respeito pela a dor é tudo o que quem perde seu amigo peludo espera no momento, pois a vivência com o cão ou gato é muito marcante e nos ensina muito. “Adotar ou comprar outro animal para o qual dedicará amor e atenção é uma forma saudável de amenizar o sofrimento. O mais importante é ter na consciência a certeza de que seu amigo teve uma boa vida e de que foi feito tudo o que podia para salvá-lo”, finaliza Dr. Luciano.  
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