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Cine Teatro Carlos Gomes
em: Santo André, passado presente
05/06/2013 09:45
De propriedade de Vicenzo Arnaldi, o Cine Teatro de Variedades Carlos Gomes foi inaugurado em 1912, na rua Cel. Oliveira Lima. No início da década de 1920, foi vendido para Francisco Masini e Arthur Gianotti.

O sucesso do empreendimento justificou a construção de um prédio maior, na rua Senador Fláquer, 110, para onde foi transferido em 25 de agosto de 1925. Com uma plateia para 800 pessoas e um grande saguão, o local era palco para tudo: exibições de cinema, teatro e música, bailes de carnaval, comemorações cívicas, formaturas, etc. Atraídos pelo grande número de frequentadores do Carlos Gomes, bares e restaurantes instalaram-se nas redondezas, fazendo da então chamada Rua do Theatro o point da época.

Em 1947, o cinema foi reformado, com ampliação da plateia, substituição do piso, instalação do sistema de ventilação e iluminação em forma de estrela de seis pontas no teto e modernização da fachada1.

Limitando-se à exibição de filmes, o espaço manteve-se como opção de lazer para os andreenses por mais quatro décadas, até sucumbir à crise dos cinemas de rua. Vendido em 1987, deu lugar a um estacionamento e uma loja de tecidos, tendo boa parte das instalações internas e a fachada demolidas para adequação aos novos propósitos.

O fim iminente do edifício deu origem ao movimento SOS Carlos Gomes, que obteve 23 mil adesões a um abaixo-assinado realizado de novembro de 1987 a janeiro de 1988 e conseguiu interromper a demolição. O imóvel ainda esperou quase três anos para ser declarado de utilidade pública.
A estas alturas, pouco restava do prédio onde a população se divertiu durante tanto tempo. Mas o imenso vínculo afetivo da cidade com o cine teatro fez com que, mesmo desfigurado, ele fosse reinaugurado como espaço cultural em setembro de 1992, dois meses antes de ser tombado como patrimônio histórico. Depois de passar por nova reforma em 1997, o local transformou-se em um cineclube. As intervenções, no entanto, não resolveram os problemas estruturais do edifício, que levaram à sua interdição em 2009.

Em dezembro de 2011, a administração municipal iniciou nova reforma no Carlos Gomes. Oito meses depois, contudo, o Ministério Público suspendeu as obras porque o projeto não havia sido aprovado pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André (Comdephaapasa).

Desde então, um tapume esconde da vista dos passantes o que resta dos restos do Carlos Gomes.

1 Armelini, A.I.M.S.Q. A preservação do patrimônio em Santo André: uma avaliação sobre a contribuição do uso cultural em imóveis tombados. 2008. 216 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – FAU/USP, São Paulo. 2008.

Foto: Vista do Cine Teatro Carlos Gomes, sito à Rua Sen. Fláquer 1957 (Foto Reprod.: David Rego Jr. Acervo: Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa.
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