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Sentindo na pele
em: Especialidades
16/07/2013 10:00

Complexo órgão sensorial com função protetora e reguladora, a pele é sensível tanto a fatores externos como ao funcionamento interno do organismo. E pode ser o grande bode expiatório de estresse em excesso, além de desencadear problemas psicológicos ao ser afetada por males que geram constrangimento, como vitiligo, herpes e psoríase.

Maior órgão do corpo humano, a pele protege o organismo de ações ambientais e microorganismos. É responsável por regular a temperatura do corpo, armazenar reservas de nutrientes e produzir a vitamina D, ao mesmo tempo em que permite nos situar perante o mundo pelo tato.

Não é apenas fisiologicamente que se destaca em importância. Cada vez mais fica evidente a relação entre o órgão e o bem estar emocional. Por ser extremamente sensível aos hormônios gerados por ansiedade e estresse, como adrenalina e cortisol, a pele é uma das áreas mais afetadas por alterações emocionais em pessoas com predisposições a certos males.

Como um ciclo vicioso, muitas doenças de pele desencadeiam também distúrbios psicológicos, como depressão e fobias sociais, pelo constrangimento que causam. "Em muitos casos é aconselhável um acompanhamento psicológico, pois a pele é a apresentação de uma pessoa e anomalias nela geram impactos na convivência", adverte o dermatologista dr. João Roberto Antonio, membro e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD-SP) e professor emérito de dermatologia da Faculdade Estadual de Medicina de São José do Rio Preto (SP).

Peles alérgicas e sensíveis têm maior predisposição a sofrer influência de fatores emocionais. Conheça alguns dos males que podem ser piorados ou desencadeados.

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Herpes

Infecção viral geralmente recorrente que gera formação de vesículas (pequenas bolhas) agrupadas. O herpes simples acomete mais usualmente a mucosa labial ou as regiões genitais. Eventualmente, se manifesta em outras áreas e até na região ocular.

Embora presente em grande parte dos seres humanos, o vírus nem sempre causa o problema, que pode ser desencadeado em indivíduos com predisposição após estresse, fadiga, exposição ao sol, febres ou demais males que reduzem a resistência orgânica. "Algumas pessoas passam a vida toda com o vírus, mas jamais desenvolvem a doença", sinaliza o dermatologista.

As lesões podem ser bem constrangedoras e incômodas, principalmente na fase das pequenas bolhas agrupadas, quando ocorre a maior probabilidade de contaminação por um contato direto. "As complicações são mais comuns em crianças e pessoas imunodeprimidas por outros males", ressalta o dr. João Roberto Antonio. O tratamento é feito com medicamentos antivirais.

Outro tipo é o herpes zoster, conhecido como cobreiro. Também viral, é bem dolorido por acometer o trajeto de um nervo, geralmente unilateral. "O herpes zoster não costuma reaparecer, exceto em condições de imunodepressão do paciente", explica o médico.

Aos primeiros sintomas (formigamento e dor local de intensidade variável), deve-se procurar um dermatologista. "Podem surgir complicações nos nervos comprometidos, como uma dor persistente chamada de neuralgia pós-herpética, de difícil tratamento em pessoas mais idosas", adverte.

Psoríase

De causa ainda não totalmente esclarecida, a psoríase é outro mal que gera transtornos sociais e psicológicos devido às suas manifestações estéticas: lesões avermelhadas e escamosas. "A psoríase é primariamente uma doença cuja característica de formação das lesões baseia-se em um processo inflamatório decorrente da alteração da imunidade da pele, favorecida pela ocorrência em familiares, em muitos casos", esclarece o dermatologista.

Costuma atingir predominantemente áreas de maior atrito, como joelhos, cotovelos e dorso dos dedos das mãos, mas pode também surgir no couro cabeludo e em outros locais. Pode se manifestar por poucas lesões ou disseminar-se por todo o corpo.

"A psoríase não é contagiosa. Muitos portadores sofrem consequências do constrangimento e preconceito gerados pelas lesões. Nestes casos, aconselho também acompanhamento psicológico para que se aprenda a conviver com o problema até obter um controle favorável e satisfatório para o paciente", orienta o dr. João Roberto Antonio.

Apesar de crônica, a psoríase pode ser controlada com medicamentos encontrados em várias apresentações, como xampus, cremes, pomadas ou, ainda, de uso interno. As indicações dependem de cada caso. "Temos uma grande evolução, são os chamados agentes biológicos, indicados principalmente para casos mais agressivos e acompanhados de artrite psoriática", ressalta o médico.

A artrite psoriática é uma manifestação da doença que afeta as articulações e tem como sintomas rigidez, inchaços e sensibilidades nas articulações comprometidas, com evolução para deformidades da área afetada.

Vitiligo

Trata-se de uma desordem cutânea despigmentante que causa manchas branco-leitosas por levar à destruição dos melanócitos (pigmentos que dão cor à pele). De causa desconhecida, afeta 1% da população, sem predileção por sexo, idade ou raça.

Segundo dr. João Roberto Antonio, sua causa deve envolver um conjunto de fatores, como genética, hereditariedade, condição imunológica e ambiental. "O vitiligo não provoca danos à saúde, mas causa profundo efeito psicológico pelo seu efeito desfigurante. Clinicamente, as manchas esbranquiçadas - geralmente nas áreas expostas, como face, dorso das mãos e ao redor de orifícios corporais - tendem a distribuir-se simetricamente", explica o médico. Os pelos podem ser eventualmente acometidos, com branqueamento das sobrancelhas, cílios e pelos pubianos, completa. Quanto mais forte a pigmentação da pele, maior o contraste das lesões.

Como a psoríase, não é contagiosa, nem dolorida. Também é crônica e gera transtornos psicológicos, tendo maior incidência em pessoas com histórico familiar da doença.

As lesões podem ser bastante amenizadas por medicamentos que estimulam a formação de pigmentação. O tratamento mais moderno atualmente é a aplicação local do extimer laser. "Quanto mais cedo a manifestação e o diagnóstico e quanto menor a idade do paciente, melhores serão as respostas ao tratamento", avisa o dermatologista.
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