Selecione seu local x
Pesquisar meu local atual

Artigos e Receitasver todas as matérias

Falando sem redundância
em: Básica
12/11/2013 13:55
Algumas palavras e expressões estão sempre na ponta de nossa língua e são repetidas inúmeras vezes, até automaticamente.
 
O problema é que muitas delas, apesar de habituais em nossa fala e escrita, são incorretas. Este tipo de erro é chamado de vício de linguagem.
Quem nunca ouviu alguém dizer “elo de ligação”, “acabamento final”, certeza absoluta”, “todos foram unânimes” ou “encarar de frente”? Trata-se da redundância, que é um vício de linguagem porque repete idéias com o mesmo sentido ou termos já expressos na frase. Com um pouco mais de atenção, nota-se que elo já significa ligação e que acabamento é o tratamento final de algo. Do mesmo modo, a certeza só existe quando não há mais qualquer dúvida (o que já a torna absoluta); a unanimidade depende da concordância ou rejeição de todos e não é possível encarar alguém ou alguma coisa sem estar de frente para ela.

+ O divertido hábito de ler
+ Você sabe o que são os neologismos?
+ Com o perdão da grafia, o internetês

Exemplos bem conhecidos de redundância são “criação nova”, “comparecer em pessoa” e “ganhar ou dar gratuitamente”. Oras, tudo o que se cria é novo, ninguém comparece de outra forma que não seja em pessoa mesmo e aquilo que se dá ou ganha é, logicamente, grátis. Outra expressão consagrada pelo uso e que apresenta este tipo de vício é “há anos atrás”. Como o “há” já indica passado, o correto seria dizer apenas “há anos” ou “anos atrás”.
Também é redundante dizer “conviver junto”, “abusar demais”, “detalhes minuciosos”, “interromper de uma vez”, “amanhecer o dia”, “metades iguais”, “vereador da cidade”, “multidão de pessoas”, “freqüentar constantemente” e “planejar antecipadamente”. Uma consulta ao dicionário revelará que apenas a primeira palavra já expressa toda a idéia que se pretende transmitir. A mesma regra vale para “voltar atrás”, “subir para cima” ou “descer para baixo”, “repetir de novo”, “entrar para dentro”, “vou ir” e “cair um tombo”.
Verdadeira praga em nosso dia-a-dia, a redundância não poupa sequer as telas do cinema. Todos os filmes “baseados em fatos reais” são redundantes, pois fato refere-se àquilo que é real e, portanto, bastaria dizer somente “baseado em fatos”. Agora, falar “caso real” ou “caso verídico” não é errado, porque caso significa conto ou história e, assim, pode ser real ou não.
A essa altura, alguns leitores podem até questionar se frases como “ele viu com seus próprios olhos”, utilizadas principalmente pelos poetas, não seriam redundantes. Esta técnica visa reforçar a idéia e, desta forma, conferir expressividade ao texto. Com isso, deixa de ser um vício e passa a ser um recurso de estilo, uma figura de linguagem conhecida por pleonasmo de reforço ou estilístico. Como, no entanto, são raras as pessoas que usam recursos literários em sua linguagem cotidiana, a maioria deve estar atenta às repetições em seu vocabulário pois, provavelmente, tratam-se de redundâncias.
 
Imagem: © hypnocreative - Fotolia.com
x

URL



Redes Sociais

Email

x
Seu nome
Seu email
Comentário