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Um prato de história. Está servido?
em: Comendo Fora
27/03/2014 10:00
Conheça a história da feijoada, prato de origem portuguesa, adaptado no Brasil; veja também dicas de preparo e mitos sobre o prato.

Como em uma família cheia de mistérios, a gastronomia brasileira é recheada de histórias. E é claro que a feijoada não iria ficar de fora. Mas, ao contrário do que você imaginava – quem diria! – a feijoada é originária de Portugal.

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Com um jeitinho tão brasileiro, fica difícil acreditar que a saborosa feijoada é uma herança portuguesa. O prato se assemelha bem com a história do Brasil: origem de Portugal e adaptado ao paladar brasileiro. Sua originalidade – ao contrário do que muitos pensam –, está no ingrediente incluído, e não no seu modo de preparo. Ao que dizem, somente no Brasil a iguaria é preparada com feijões pretos.
A feijoada veio do norte de Portugal, onde a tradição leva feijão branco no noroeste (Minho e Douro Litoral) ou feijão vermelho no nordeste (Trás-os-Montes), acompanhado de carne de porco ou de vaca, chouriço, farinheira – um enchido de carne típico de Portugal – e vegetais. No Brasil, a comida que se tornou um prato típico nacional consiste em um guisado de feijão preto com carne de boi ou de porco, geralmente acompanhado por arroz e farofa.
Na receita de origem, o quitute recebe um mix de feijões, porém descarta o mais usado na versão brasileira: o tipo preto. O feijão preto tem origem africana que, misturado com linguiça, orelhas e pé de porco, dá forma à tradicional feijoada do Brasil. De acordo com especialistas, o prato é um tipo de guisado, cozido, que é muito comum e tradicional da Europa, continente onde está localizado Portugal.

Mito gastronômico
Há quem jure que a feijoada chegou aos solos tupiniquins ainda no período do Império. A explicação mais popular diz que o prato tem origem escrava. Os senhores de engenho e de fazendas cultivavam seus próprios rebanhos e varas, por isso podiam consumir suas próprias carnes. Acredita-se que após carnear os animais (aproveitar os componentes do animal para consumo), os donos das terras forneciam aos escravos partes do porco que não iriam ser consumidos por eles. Os escravos cozinhavam as peças dadas e incrementavam o prato com feijão preto.
Essa lenda percorre por todos os cantos do País, porém não é verdadeira. Registros históricos comprovam que o prato era consumido pelos portugueses aqui no Brasil. Existem marcos de açougues da época com pedidos de itens de feijoada e também em jornais, com anúncios de venda do alimento.
A iguaria se popularizou por aqui há aproximadamente 1700 anos, mas ainda não se sabe ao certo como começou a percorrer as cozinhas brasileiras. Se você for mais a fundo na história do prato, a fórmula de feijões + vegetais + carnes já era usada no Império Romano, antes mesmo de qualquer outra versão. Sabe-se também que a variação pátria conseguiu invadir a culinária lusitana. Conhecida como “feijoada à brasileira” atualmente, ela é popular nos restaurantes de Portugal.

Por que de quarta e sábado?
Mais mítica do que sua origem, a tradição do sábado de feijoada é uma história que não tem antecedentes sólidos. Nacionalmente, os restaurantes brasileiros oferecem as feijoadas de sábado. A rotina tem fundamento em sua origem, visto que os portugueses costumam associar os pratos aos dias da semana: cozidos de quinta-feira e domingo, peixes de sexta-feira, e assim por diante.
Como o Brasil foi colonizado por portugueses, os brasileiros também carregam tradições colonizadas. Em São Paulo, por exemplo, é hábito dos restaurantes oferecerem a feijoada às quartas-feiras e/ou aos sábados, virado à paulista (arroz, bisteca de porco, mandioca, couve e feijão) às segundas-feiras e dobradinha (bucho cozido de animais, em especial do boi) às terças-feiras.

Dica de preparo
Aí vai uma dica para quem nunca se aventurou a fazer uma deliciosa feijoada. Primeiro, tire o excesso de sal das carnes salgadas, em água corrente; tire também os pelos das partes que apresentarem cabelos e o maior número de nervos e gordura possível.
Agora, é uma questão de paciência, pois começa o pré preparo. Deixe a carne de molho em água gelada por 24 horas – uma dica é trocar o líquido por três vezes durante o período de espera. Ferva as carnes em fogo forte, em seguida, escorra a água e retire todo o excesso de gorduras.
As carnes mais duras devem ser levadas para o fogo em pedaços grandes. Cozinhe as peças por até 30 minutos e junte os tipos mais moles. Preserve os alimentos no fogo por mais 30 minutos. Retire as peças assim que se certificar que ficaram cozidas. Prepare o feijão preto, agregue as carnes em pedaços pequenos ao feijão e apure por aproximadamente meia hora. Coloque em cumbucas ou pratos e sirva.
 
Imagem: © uckyo - Fotolia.com
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